shazam! – com uma palavra mágica…(novos 52)

Uma nova aventura de origem atualiza Billy Batson, identidade à paisana de Shazam. Deixa de lado a pureza e a ingenuidade características do personagem. No lugar, um órfão problema de idade avançada que vive sob a tutela de uma assistente social e pula de casa em casa sem conseguir encontrar um lar definitivo. Os Vasquez são a enésima tentativa, mas têm algo especial: costumam acolher crianças mais velhas e parecem ter um motivo bem particular para isso – ele chega à nova família para ser o sexto filho adotivo.

shazamA partir daí começam pequenos desentendimentos, seguidos de aproximações e novas rejeições. A relação entre Billy e a nova família ganha caráter menos banal e se aprofunda à medida que ele se aproxima do seu destino místico, com os antagonistas clássicos do herói, Dr. Silvana e Adão Negro, fazendo relevantes aparições.

A trama consegue se manter atraente e divertida até o fim, com pequenas revelações e reviravoltas ao longo das cerca de 170 páginas de história. Mesmo não sendo personagens bem desenvolvidos, gosto bastante da participação dos irmãos de Billy (Mary, Freddy, Pedro, Eugene e Darla), que aparecem a maior parte do tempo em conjunto. Dão boa dinâmica para as partes não-heroicas do quadrinho, particularmente minhas preferidas.

A resolução final talvez seja um pouco simples, mas não chega a abusar da licença poética, como parece comum em roteiros de herói. Bem no fim, uma ponta solta indica continuação. Enfim, foi diversão para toda a família.

avaliação
3,8 / 5
(bom)

shazam_ilustra

Shazam! – Com uma palavra mágica…
Geoff Jons (roteiro), Gary Frank (arte) e Brad Anderson (cores)
Levi Trindade e Bernardo Santana (tradução)
Panini Books, outubro de 2015
196 páginas, 17 x 26 cm, colorido, capa dura, R$ 29,90

Shazam!
DC Comics, maio de 2012 a agosto de 2013 (mensais)


P.S.: Vale lembrar que Shazam é um herói cuja saga fora dos quadrinhos é mais cheia de reviravoltas do que qualquer roteiro. Em meio a brigas judiciais que se arrastaram por décadas, assumiu várias identidades (Marvelman, Capitão Marvel, Miracleman) e viveu em muitos mundo (fawcett, marvel, dc). Mas esse é um assunto que talvez seja retomado aqui quando eu ler Miracleman, clássico de Alan Moore.

 

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o começo: três hqs marcantes

Desde meados de 2014, quando comecei a descobrir as HQs, li e comprei dezenas, talvez centenas de milhares de páginas impressas e encadernadas de quadrinhos. Mas três histórias, lidas no começo da aventura, são as que considero determinantes para eu passar da indiferença ao colecionismo inveterado.

Marvels, clássico de Kurt Busiek e Alex Ross (Salvat, edição original Marvel, tradução não informada), foi a primeira. A história conta, pelo ponto de vista de um fotógrafo, como foram percebidas as primeiras aparições dos heróis no mundo. Despertou minha curiosidade sobre como se desenvolveram as histórias de TODOS os heróis, uma pretensão que pode ser classificada como humanamente impossível de se completar em vida.

Em seguida veio Fracasso de Público, de Alex Robinson (Gal Editora, edição original Antarctic Press, tradução Eliane Gallucci e Maurício Muniz). Li o primeiro e corri para as lojas atrás dos outros dois. Não lembro se encontrei na Comix ou na Gibiteria, ambas lojas repletas de objetos de desejo, localizadas perigosamente próximas da minha casa. Robinson criou uma história de cotidiano, pessoas comuns com dramas banais, mas sem a sutil contradição de fazer o prosaico parecer especial, como geralmente acontece nesse gênero. Foi a senha para eu começar a caça a todo quadrinho autoral disponível.

Mais ou menos na mesma época, foi a vez de Daytripper, dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (Panini Comics, edição original Vertigo, tradução Érico Assis). Uma história universal, que se passa entre São Paulo e o litoral baiano, escrita por brasileiros, reconhecida e premiada mundo afora. Era o contato fundamental com uma história cuja temática é o mundo que me cerca, o bar onde eu bebo, a rua em que eu passo, os problemas e jeito de ver o mundo que eu reconheço como a nenhum outro. A arte cumprindo um dos seus papéis mais relevantes: colocar uma sociedade, por algumas páginas que seja, no centro do mundo. Como ignorar todos os pares de Bá e Moon, os artistas que aqui vivem, recriam nossos lugares e nossa vida? Mais uma missão para o leitor tardio.

Capas dos quadrinhos Fracasso de Público, Marvels e Daytripper (Arquivo pessoal)
As edições em que li os três quadrinhos

 

OS PRIMEIROS PASSOS