12 livros para 2017

O foco principal aqui são quadrinhos. Mas a quase exclusividade que dei a eles nos últimos anos me causou danos. Passei a ler pouquíssimos livros – e eles me fazem falta. Por isso, antes de falar sobre os quadrinhos que tenho lido, vou estabeler uma meta de livros para 2017, copiando o que vi em canais do youtube.

Três são releituras, com os demais trocava olhares há tempo.

Quatro são escritos em espanhol, quatro em inglês, quatro em português – todos estes brasileiros. Três são dos Estados Unidos e os cinco demais são da Inglaterra, México, Colômbia, Uruguai e Argentina. Seis autores estão vivos, seis mortos – um faleceu na semana passada. Três são mulheres, nove são homens.

Quatro são considerados clássicos, embora eu ache que são cinco. Pode-se dizer que só três autores são famosos, do tipo que têm a morte noticiada no Jornal Nacional; um deles ganhou o Nobel, os outros mereciam – mais uma opinião pessoal. Um quarto escritor está sempre cotado. Só um não é ficção, mas escrito por um autor, cujo nome verdadeiro é Eric Blair, que ficou célebre por elas.

A Companhia das Letras aparece quatro vezes; a Record, duas. Nova Fronteira, Alfaguara, Editora 34, Planeta Literário, Folha de S.Paulo (coleção Ibero-americana) e L&PM aparecem uma vez cada.

Eis!

O Círculo, Dave Eggers (Companhia das Letras)
Estados Unidos, inglês,
homem, vivo.

Corpo de Baile (vol.1), João Guimarães Rosa (Nova Fronteira)
Brasil, português,
clássico, releitura,
homem, morto, famoso. 

O que deu para fazer em matéria de amor, Elvira Vigna (Companhia das Letras)
Brasil, português,
mulher, viva.

Outros cantos, Maria Valéria Rezende (Alfaguara)
Brasil, português,
mulher, viva.

Antonio, Beatriz Bracher (Editora 34)
Brasil, português,
mulher, viva.

Pedro Páramo, Juan Rulfo (Record)
México, espanhol,
clássico, releitura,
homem, morto.

A vida Breve, Juan Carlos Onetti (Planeta Literário)
Uruguai, espanhol,
clássico?,
homem, morto.

Respiração Artificial, Ricardo Piglia (Folha de S. Paulo)
Argentina, espanhol,
homem, morto recentemente.

Cem anos de solidão, Gabriel García Marquez (Record)
Colômbia, espanhol,
clássico,
homem, morto, famoso, nobel.

Na pior em Paris e Londres, George Orwell (Companhia das Letras)
Inglaterra, inglês,
releitura, não-ficção,
homem, morto, famoso, eric blair.

Associacão judaica de polícia, Michael Chabon (Companhia das Letras)
Estados Unidos, inglês,
homem, vivo.

Complexo de Portnoy, Philip Roth (L&PM)
Estados Unidos, inglês,
clássico,
homem, vivo, cotado ao nobel.

 

OS PRIMEIROS PASSOS

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o começo: três hqs marcantes

Desde meados de 2014, quando comecei a descobrir as HQs, li e comprei dezenas, talvez centenas de milhares de páginas impressas e encadernadas de quadrinhos. Mas três histórias, lidas no começo da aventura, são as que considero determinantes para eu passar da indiferença ao colecionismo inveterado.

Marvels, clássico de Kurt Busiek e Alex Ross (Salvat, edição original Marvel, tradução não informada), foi a primeira. A história conta, pelo ponto de vista de um fotógrafo, como foram percebidas as primeiras aparições dos heróis no mundo. Despertou minha curiosidade sobre como se desenvolveram as histórias de TODOS os heróis, uma pretensão que pode ser classificada como humanamente impossível de se completar em vida.

Em seguida veio Fracasso de Público, de Alex Robinson (Gal Editora, edição original Antarctic Press, tradução Eliane Gallucci e Maurício Muniz). Li o primeiro e corri para as lojas atrás dos outros dois. Não lembro se encontrei na Comix ou na Gibiteria, ambas lojas repletas de objetos de desejo, localizadas perigosamente próximas da minha casa. Robinson criou uma história de cotidiano, pessoas comuns com dramas banais, mas sem a sutil contradição de fazer o prosaico parecer especial, como geralmente acontece nesse gênero. Foi a senha para eu começar a caça a todo quadrinho autoral disponível.

Mais ou menos na mesma época, foi a vez de Daytripper, dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (Panini Comics, edição original Vertigo, tradução Érico Assis). Uma história universal, que se passa entre São Paulo e o litoral baiano, escrita por brasileiros, reconhecida e premiada mundo afora. Era o contato fundamental com uma história cuja temática é o mundo que me cerca, o bar onde eu bebo, a rua em que eu passo, os problemas e jeito de ver o mundo que eu reconheço como a nenhum outro. A arte cumprindo um dos seus papéis mais relevantes: colocar uma sociedade, por algumas páginas que seja, no centro do mundo. Como ignorar todos os pares de Bá e Moon, os artistas que aqui vivem, recriam nossos lugares e nossa vida? Mais uma missão para o leitor tardio.

Capas dos quadrinhos Fracasso de Público, Marvels e Daytripper (Arquivo pessoal)
As edições em que li os três quadrinhos

 

OS PRIMEIROS PASSOS